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O paradoxo de Jevons

O paradoxo de Jevons

Artigo publicado no Diário Económico em 27 de Março de 2012

“Quanto mais investirmos em eficiência energética, mais energia consumimos”, é, em linguagem de hoje, o paradoxo que o economista William Stanley Jevons formulou em1886, quando tinha 29 anos de idade, no livro “A questão do carvão”. Jevons defendia que o poderio económico da Grã-Bretanha, alicerçado na máquina a vapor e nos grandes recursos de carvão do país, não era sustentável, pois o recurso era finito e “Era uma confusão de ideias assumir que o uso mais económico do combustível, equivalia a diminuir o seu consumo.

O contrário é que era a verdade”.

O paradoxo foi relembrado, na revista NewYorker de 20 de Dezembro de 2010, no artigo “O dilema da eficiência”, de David Owen. O artigo levantou bastante polémica, colocando em debate saber se, ao dispormos de equipamentos mais eficientes, poupamos efetivamente energia ou se nos limitamos a utilizá-los mais. Se ao dispormos de automóveis com menor consumo e de melhores estradas poupamos de facto energia, ou se vamos simplesmente percorrer maiores distâncias, incorrendo, na realidade, num consumo maior de combustível. Ou, se ao dispormos de iluminação LED, muito mais eficiente do que a convencional, vamos de facto poupar energia ou, se pelo contrário, vamos instalar iluminação até nos guarda-fatos, esquecendo-nos, também, de apagar as luzes quando não precisamos delas. Ou se vamos instalar indiscriminadamente sistemas de ar-condicionado, sem os quais sempre tínhamos vivido, mantendo-os ligados mesmo quando não estamos em casa.

Felizmente, o consenso parece ser que, ao contrário da opinião de Jevons e de Owen, o paradoxo não se verifica, porque o que poupamos em eficiência energética não é totalmente gasto em mais energia; uma parte é gasta em melhor comida, roupas e idas ao cinema. O que leva a que no balanço global poupemos na ordem dos 30% do que ganhámos inicialmente com o investimento em eficiência energética.

Mas, a conclusão que temos de tirar é que a energia é um bem escasso, será progressivamente mais cara e não chega apostar em mais eficiência energética. Porque a verdade é que utilizamos energia de mais. Cada Europeu utiliza uma potência média de 5,4 kW, quando a média do Mundo são 2,3 kW. Temos mesmo que aprender a viver sem desbaratar energia. No que me toca, comecei a medir diariamente o meu consumo energético e estou surpreendido com a quantidade de energia e de dinheiro que estou a poupar.