Publicado no Diário Económico em 28 de Julho de 2011
Doca seca nº20, do estaleiro da Lisnave na Mitrena. A doca avista-se, ao longe, da estrada, que partindo de Setúbal segue ao longo da margem do Sado, e quem lançar um olhar curioso na sua direção, pode interrogar-se sobre o que será o estranho dispositivo que se avista para lá do pórtico. A dimensão dos navios que o rodeiam disfarça o seu tamanho real, que é impressionante: três colunas verticais de 23 metros de altura ligadas entre si por estruturas tubulares formando um imenso prisma com mais de 1000 toneladas de peso.
Trata-se do WindFloat, um dispositivo flutuante para conversão de energia eólica em eléctrica, único no Mundo, que apresenta vantagens sobre todos os seus concorrentes.
Estou a ganhar o hábito de passar pela Lisnave todas as semanas, para verificar o avanço dos trabalhos. A semana passada decidi subir pelos andaimos até ao topo de uma das colunas do WindFloat, e foi aí que a sua verdadeira dimensão se tornou claramente aparente.
Trata-se do maior projecto que a EDP Inovação tem entre mãos. Olho para trás e revejo o longo caminho percorrido, desde que o projecto nos foi apresentado pela primeira vez pela Principle Power: os ensaios no tanque de Berkeley, o assegurar do financiamento e das parcerias, todo o projeto de engenharia.
É um projeto bem português, com a estrutura a ser construída pela A. Silva Matos e pela MPG, com a participação do Wave Energy Centre. Mas também com uma componente internacional: a Vestas – maior fabricante mundial de geradores eólicos - assegura o fornecimento da turbina de 2 MW assim como o desenvolvimento de todo o seu sistema de controlo.
Veio-me, então, à memória a última conversa que tive com Hernâni Lopes sobre a Economia da Mar. Com a veemência que o caracterizava, o Professor pedia para não nos esquecermos que, se Portugal tem algum futuro, ele passa necessariamente pelo Mar.
Foi nesta linha que promoveu o Forum Empresarial da Economia do Mar, como instrumento para capturar este potencial. Nele, um dos Grupos criados foi o da“Energia, Minerais e Biotecnologia”. É aqui que o projeto WindFloat pretende dar um contributo.
Pessoalmente, defendo que o País deve investir na energia “off-shore”. Temos reconhecido “know-how” nesta matéria e a tecnologia necessária está ao alcance da nossa indústria. Os dispositivos de vento “offshore”, abrem um espaço até hoje inacessível e podem ajudar a fazer a diferença tanto no sector energético como em sectores industriais que tanto precisam de ser relançados.