Publicado no Diário Económico em 19 de Maio de 2011
Pergunto-me, muitas vezes, o que o deveríamos ensinar nos cursos de informática. Qual o equilíbrio entre formação de base e formação prática; mas, sobretudo, como conseguir transmitir às novas gerações o vírus do empreendedorismo.
Encontrei, há dias, no NYTimes, um exemplo inspirador. Trata-se de um curso lançado em Stanford, em 2007, por B. J. Fogg, responsável pelo Persuasive Technology Lab da Universidade. O “site” do Lab, só por si, vale uma visita.
O curso , teve por objetivo ensinar a programar aplicações utilizando as APIs (rotinas que permitem o acesso) do Facebook, incentivando os alunos a desenvolver aplicações sociais dentro do próprio Facebook. O que o curso teve de extraordinário foi que, quando concluiu, as aplicações desenvolvidas, pelos alunos, já tinham rendido mais de 1 milhão de dólares em publicidade. Do curso nasceram, também, diversas “start-ups” bem sucedidas, que tornaram ricos mais de 20 alunos e professores.
A Net, aliada ao “open-source” e ao “cloud computing”, criou um paradigma novo, que faz desaparecer grande parte das barreiras à entrada de empresas tecnológicas no seu espaço. Torna-se necessário tornar isso claro aos aspirantes a empreendedores.
Que melhor forma de o fazer, que seguir o exemplo de Fogg e propor, como trabalho de curso, desenvolvimentos que possam ter valor comercial. Ensinando que no mundo da Net se faz o lançamento de uma aplicação quando ela começa minimamente a funcionar, não se esperando que esteja perfeita. A aplicação melhora, depois, à custa de sucessivas “releases”, que se deverão suceder rápidamente no tempo.
Da mesma forma que o Facebook, todos os grandes atores da Net – Google, Amazon, Twitter, … - disponibilizam APIs e ferramentas, que facilitam o desenvolvimento de aplicações na sua periferia. Há certamente fortunas a ganhar com muitas dessas aplicações.
Assim, não tenho dúvidas de que incluiria, sempre, num curso de informática, uma disciplina na linha da criada por Fogg.
Incluiria, também, um estágio, a desenvolver com a indústria, do tipo “Google Summer of Code”, o qual possibilitasse aos alunos a participação no desenvolvimento de um projeto “open-source” de grandes dimensões.
As nossas Universidades formam, sem dúvida, do ponto de vista teórico, excelentes engenheiros. Porque não ensinar os alunos, também, a ganhar dinheiro, estimulando-lhes a ambição de se tornarem ricos? O País bem precisa!