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UAVs – Veículos Aéreos Não Tripulados

Primeiras cenas do filme Corpo da Mentira (“Bodies of Lies”, EUA, 2008): O teatro da acção é uma cidade do Médio Oriente, onde o agente da CIA, Roger Ferris (L. DiCaprio), procura capturar o terrorista (fictício) Al-Saleem. O contacto de Ferris na CIA, Ed Hoffman (Russell Crowe), segue, ao detalhe, a acção no terreno, a partir dos múltiplos televisores de uma sala de controlo instalada no Quartel General da CIA, em Langley, Virgínia, contactando, quando necessário, Roger, por meio de um telemóvel.

As imagens, em “streaming vídeo”, vão sendo capturadas, no terreno, por um pequeno avião telecomandado - a que os militares chamam UAV/“Unmanned Aerial Vehicle” (Veículo Aéreo Não Tripulado) - em tempo real e alta resolução, e o “zoom” da máquina de filmar tem ampliação suficiente para permitir que Hoffman consiga seguir, de perto, a perseguição na confusão das ruas da cidade e mesmo identificar indivíduos específicos.

A tecnologia existe, não se trata de ficção! O único ponto onde o filme exagera é na resolução das imagens, que ainda não atingem a que Hoffman observa no filme.

Existem UAVs de todos os tipos e de todos os custos, de acordo com as múltiplas necessidades do teatro de guerra. Os UAVs mais pequenos, são pouco maiores do que um modelo telecomandado. O Scan Eagle, por exemplo, tem uma envergadura de 3 metros, um motor de 2 HP, uma autonomia para mais de 24 horas de voo, e está equipado com uma câmara de filmar normal e outra de infravermelhos. O tecto de voo são os 3.800 metros e se fosse equipado com uma câmara de filmar de alta resolução poderia enviar, por satélite, imagens com a mesma qualidade que Hoffman vê no filme.

O motivo porque os UAVs estão a ser cada vez mais utilizados é porque reduzem imenso o custo das operações de observação, e retiram risco às intervenções em zonas sensíveis. Assim, nos Estados Unidos, por exemplo, o número de horas voados por UAVs, em operações militares, tem vindo a crescer rapidamente das 27.000 horas voadas em 2002, para as 800.000 horas voadas em 2008.

Os UAVs têm, também, um enorme potencial de aplicação no mundo civil, nomeadamente em Portugal, podendo fazer baixar o custo e o risco das operações de fiscalização. Exemplos de utilização, são a vigilância das águas territoriais, ou a vigilância de incêndios.

Uma outra aplicação possível, é a inspecção de linhas aéreas de alta tensão. A EDP e a REN têm de inspeccionar, todos os anos, centenas de quilómetros de linhas aéreas para determinar o seu estado e poderem assegurar a qualidade do serviço. O trabalho é, hoje em dia, realizado em helicóptero, com voo a baixa velocidade junto às linhas, operação perigosa, envolvendo risco humano elevado. Seria muito melhor e mais barato efectuar a operação com UAVs. É esta aposta que as empresas portuguesas Tekever e Albatroz, com o IST, a EDP e a HC estão a fazer, no projecto comunitário Amelie. Trata-se de desenvolvimento interessante, pois incorpora mais conhecimento do que capital e se, como se espera, for bem sucedido trará para os participantes vantagens comparativas sustentadas, contribuindo igualmente para o desenvolvimento de uma área estratégica para o País.