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“Sun Aid”

Publicado no Diário Económico em 22 de Novembro de 2011

Se quiséssemos escolher a cidade mais pobre e isolada do Mundo, Kakuma, no Quénia, seria uma óbvia candidata. Situada numa região assolada por conflitos, Kakuma aloja, desde 1992, um campo de refugiados que tem hoje 75.000 pessoas. Fome, e doenças são a moeda corrente, à qual os dois hospitais existentes têm dificuldade em ocorrer. Quinze escolas, com condições deficientes, procuram, com pouco êxito, instruir uma população desprovida de tudo.

Trazer, energia a um local tão inóspito é uma obrigação que enfrenta um desafio quase insuperável, se quisermos adoptar uma solução convencional; a energia solar poderá ser a solução, porque se em Kakuma falta quase tudo, radiação solar existe de sobra. Acresce que os sistemas solares são robustos e fáceis de instalar, e podem trabalhar dezenas de anos com um mínimo de manutenção.

A EDP fez em Kakuma uma intervenção baseada em energia solar que validou esta tecnologia, conseguindo melhorar as condições de vida de 6.000 refugiados, ao mesmo tempo que permitiu poupar 50.000 litros de gasóleo e deixar de emitir 700 toneladas de CO2 por ano.

Kakuma não é um caso único: dos 7 biliões de habitantes da Terra, 1,5 biliões não tem acesso a eletricidade, o que os condena a uma eterna pobreza, até porque a energia representa um terço do rendimento destes agregados familiares. Uma situação que urge eliminar, mas que obrigará ao dispêndio, até 2030 , de uns 25.000 milhões de Euros.

Para atacar este problema, um conjunto de portugueses criou o “Sun Aid”, com uma agenda bem clara: utilizar a energia solar como elemento determinante para quebrar o ciclo de pobreza do Mundo. Entre 10 e 12 de Novembro, o “Sun Aid” conseguiu reunir em Évora os maiores especialistas do Mundo desta matéria. Figuras de referência, como o brasileiro Fábio Rosa, que levou a energia fotovoltaica ao Amazonas, estiveram presentes.
O “Sun Aid” pretende desenvolver conhecimento em energia solar, uma aposta importante e que pode ter impacto global. Porque, as soluções desenvolvidas para o mundo em desenvolvimento, estão sujeitas a restrições rígidas de custo e de fiabilidade o que implica que as tecnologias criadas tenham valor para os mercados desenvolvidos.

No caso do fotovoltaico, mais de metade do custo dos sistemas são as baterias e a electrónica; a electrónica, pode vir a ter alguma complexidade, se considerarmos que os sistemas se podem vir a interligar criando redes em ilha. Os extremos tocam-se, e as soluções desenvolvidas para os mais pobres podem permitir criar tecnologias competitivas para as modernas “smart grids”. Uma aposta que pode ter elevada rentabilidade, interessante para as empresas portuguesas!