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“Startup mood”

Entering StartupPublicado no Diário Económico em 21 de Abril de 2011

Quando em 1999, as destacadas capitais de risco Kleiner Perkins e Sequoia Capital compraram 20% da Google por 25 milhões de dólares, fizeram, mais uma vez, um investimento excepcional, ajudando a criar uma empresa que tem, hoje, uma capitalização de mercado de 170 biliões de dólares.

Na altura, John Doerr, dono da Kleiner Perkins, exigiu que os fundadores da Google, Larry Page e Sergey Brin – que à data tinham vinte e poucos anos – contratassem um CEO experiente.

Com alguma dificuldade, Larry e Sergey acabaram por aceitar como CEO, Eric Schmidt. A julgar pelos resultados, a escolha demonstrou ser acertada, pois Schmidt - um veterano da indústria informática com passagem pela Novell, Sun Microsystems e pelo Centro de Pesquisa de Palo Alto da Xerox – ajudou a materializar a visão que Larry e Sergey tinham para a Google. Ao ponto de Larry vir a afirmar que a escolha de Schmidt tinha sido “brilliant”.

Este ano, Larry Page propõe-se assumir o lugar de CEO da Google. Um dos objetivos de Larry é voltar a gerir a empresa como uma “startup”.

Consigo perceber bem porquê. Com efeito, tive o privilégio de trabalhar em várias “startups” e considero que foram experiências inesquecíveis.

Numa “startup” esquece-se o superficial e todas as energias são focadas no essencial. O alinhamento dos interesses pessoais com os da empresa faz-se naturalmente, sem recurso a KPIs, porque o objetivo é claro para todos: entrar no mercado o mais cedo possível, com uma oferta competitiva. Sobra trabalho para todos, o que faz com que as disputas de poder se reduzam, também, ao mínimo.

Algures no tempo as empresas amadurecem e deixam de ser “startups”, mas o “Espírito de Startup” nunca se deveria perder. Não se trata de voltar a trabalhar numa garagem, mas sim de reduzir a burocracia ao mínimo, manter públicos e claros os objetivos da empresa, privilegiando o funcionamento em rede, por forma a evitar o afunilamento da execução. Mas é, sobretudo importante, ser capaz de continuar a questionar a forma como fazemos as coisas, procurando, permanente, realizá-las um pouco melhor.

Seria, agora, fundamental conseguirmos colocar Portugal num “startup mood”, minimizando as discussões estéreis em que gostamos de nos perder, alinhando o interesses de todos, no objetivo de nos tornarmos competitivos. Tornou-se bem claro que ninguém nos vai ajudar para sempre, mas, pessoalmente, não desisto do objetivo de contribuir, para deixar aos meus filhos um País melhor, do que recebi dos meus pais.