Publicado no Diário Económico em 16 de Junho de 2011
“O que tu sabes já eu me esqueci”: uma frase arrogante e pretensiosa, mas que, temos que reconhecer, traduz alguma verdade, porque, afinal, a espuma do nosso conhecimento resulta da experiência e de vivências que não é fácil de explicitar, nem de transcrever para uma Wikipedia.
É este tipo de conhecimento que Adam D’Angelo e Charlie Cheever, dois veteranos do Facebook, decidiram capturar. Não foram os primeiros a ter a ideia: o Yahoo Answers, o Answers.com e o Stack Exchange já tinham avançado nesta linha, mas nenhum deles conseguiu atingir um nível de credibilidade adequado. Com o novo ‘site’ Quora, Adam e Charlie decidiram criar um mercado do conhecimento de qualidade, onde os utilizadores podem encontrar respostas idóneas a todo o tipo de perguntas.
E parecem estar a consegui-lo, ao ponto de já estar a ser vaticinado que o Quora vai repetir o êxito do Twitter, já estar avaliado em 86 milhões de dólares, tendo-se alinhado por detrás dele, um conjunto invejável de Capitais de Risco.
Como está explicado no “site”, o objectivo do Quora é facilitar a acumulação do conhecimento, por forma a que, a prazo, todo o conhecimento da Humanidade venha a estar lá armazenado. Como no Facebook, pretende-se que os utilizadores se registem com os nomes e fotografias verdadeiros, procurando-se atrair para o sistema as maiores autoridades de cada campo do conhecimento. Se, por exemplo, Einstein ainda fosse vivo, poderia estar no Quora a explicar detalhes da Teoria da Relatividade.
O Sistema ainda está muito longe disso, com o conteúdo muito centrado em Silicon Valley, onde parece ter atraído o interesse dos empreendedores mais influentes. Qualquer pergunta em torno do Capital de Risco e dos problemas de lançamento de uma “start-up” está lá respondido.
Ao nível tecnológico, o Quora fez as escolhas que se impunham a um grupo de veteranos da Net: está alojado na Amazon Elastic Compute Cloud, a base de dados é MySQL, o sistema operativo o Ubuntu Linux e a linguagem de programação, o Python, com o “framework” Pylons.
Um caso que vale a pena seguir, pois pode vir a ser muito útil, mas para já não é fácil, pois o sistema parece estar com tanta carga, que é preciso mendigar para ser admitido como utilizador; o que, de resto, parece estar a reforçar o interesse no Quora, pois na linha de Groucho Marx, muitos “não quereriam pertencer a um club que os aceitasse como sócios”.