Publicado no Diário Económico em 8 de Novembro de 2011
Alfa pendular, noite de sexta-feira 21 de Outubro. De regresso a Lisboa, ligo o portátil e por um daqueles acasos inexplicáveis, abro o blog the Boyd Cohen.
O ”post” mais recente tem o título “Can EVs Ignite The Smart Grid?” e discute a relação dos veículos elétricos com as “smart grids”; quase se pensaria que Boyd Cohen tinha estado presente na conferência ELAB, em que acabo de participar na Exponorte.
Em linha com o que tinha sido discutido na ELAB, Boyd defende que, enquanto os contadores de eletricidade, por mais sofisticados que sejam, são pouco estimulantes para o utilizador final, já o mesmo não acontece com os automóveis com os quais os proprietários mantém uma relação de afectividade, o que pode levar a que a combinação dos dois tenha um efeito explosivo.
A curva de adopção dos Veículos Elétricos (VEs) e dos Híbridos Elétricos está a acelerar, pois está previsto que em 2015 haja 108 modelos disponíveis no mercado. Muitos começam, já, a fazer sentido: o Opel Ampera, que experimentei recentemente, não fica atrás de muitos automóveis tradicionais de que gosto.
Ora o veículo elétrico representa, para as redes de distribuição de energia, um novo tipo de carga que trás consigo desafios, mas também oportunidades. Primeiro que tudo, é interessante lembrar, que um veículo elétrico, que tenha a utilização típica, representa em Portugal, um consumo equivalente ao consumo doméstico médio. Assim, quando existir, no País, um milhão de veículos elétricos, isso será o equivalente a mais um milhão de consumidores residenciais. Depois, trata-se de uma carga que varia no espaço e no tempo: não se pode saber quando e em que ponto da rede se virá a ligar da próxima vez.
De entre as oportunidades, sobressai o facto de o veículo elétrico ter um enorme potencial para regularizar o diagrama de consumos da rede, complementando as energias renováveis: carregando as baterias quando houver excesso de energia, e devolvendo energia à rede quando isso se tornar necessário.
Mas, para isso ser possível, torna-se necessário dotar as redes de distribuição de inteligência, isto é, instalar as “smart-grids”. É precisamente o que Boyd defende no seu “blog”.
Ora quase todas as tecnologias descritas por Boyd estão em desenvolvimento avançado em Portugal: a Efacec é um produtor de referência de carregadores rápidos para VEs; a Novabase e a Critical desenvolveram um sistema em “Cloud Computing” para controlo das pontos de carregamento; O Inesc Porto tem, em protótipo, um sistema V2G que permite a um VE devolver carga à rede; temos em Évora um verdadeiro “Living Lab” de “smart grids”.
Nesta altura em que tudo são problemas e desânimo, é importante não deixar cair as oportunidades!