Artigo publicado no Diário Económico em 4 Novembro de 2010
Sempre pensei que, quando um veículo eléctrico conseguir ir de Lisboa a Madrid sem parar, carregar as baterias em 10 minutos e seguir para Barcelona, o veículo com motor de combustão interna ficará, definitivamente, obsoleto. Também sempre acreditei que isso iria acontecer mais cedo do que pensamos.
A confirmá-lo, a “DBM Energy”, uma “start-up” alemã, desenvolveu uma nova tecnologia de baterias de lítio, instalou-a num Audi A2 que converteu e, no dia 25 de Outubro, conseguiu percorrer, com uma só carga, os 600 Km que separam Munique de Berlim. E à média de 90 Km/h. Dava para ir a Madrid!
Para trás ficava o recorde do Tesla de 504 km, mas não o do Daihatsu com 1004 Km, mas o Daihatsu tinha feito uma média de apenas 43 km/h e a esta velocidade não dava para ir até Madrid! E o Audi A2 era um carro a sério, com 4 lugares e uma bagageira utilizáveis, fez a viagem com o aquecimento ligado e quando chegou a Berlim ainda tinha carga na bateria.
Mas o mais surpreendente foi a bateria utilizada neste recorde. Com efeito, ao contrário do Tesla e do Daihatsu, que utilizaram “packs” construídos com baterias de “laptops” - no caso do caso do Daihatsu 8320 baterias Sanyo de lítio-ião que disponibilizam 74 kWh - o Audi recorreu a uma bateria desenvolvida pela própria DBM Energy.
A bateria, segundo Mirko Nannemann, inventor da tecnologia KOLIBRI Alpha Polymer utilizada e CEO da DBM Energy é recarregável em apenas 6 minutos.
Mirko, que tem apenas 27 anos de idade, afirma estar pronto a começar produção industrial da sua tecnologia. Pode ser ou não verdade, mas não tenho dúvidas que mais cedo ou mais tarde serão vencidas as actuais limitações de capacidade e preço das actuais baterias.
Assistimos a este tipo de desenvolvimento nos telemóveis. Quem ainda se lembra dos primeiros telemóveis da rede analógica NMT 900? Tinham a dimensão de uma pasta e pesavam cerca de 5 quilos. Com a norma GSM os telemóveis entraram rapidamente no caminho da miniaturização e da funcionalidade crescente, ao ponto de, agora, um “smartphone” ter uma capacidade enorme, pesar apenas 120 gramas e ter uma bateria que aguenta mais de 24 horas.
As baterias dos veículos eléctricos vão, com grande probabilidade, continuar a trajectória das dos telemóveis, e este desenvolvimento assegurará que uma nova indústria vai emergir. Uma oportunidade excelente, a não perder, pelos empreendedores Portugueses!