Publicado no Diário Económico em 1 de Junho de 2011
Falei nesta coluna, pela primeira vez, sobre o Arduino, em Janeiro de 2010. Trata-se de uma placa electrónica, que se compra em Portugal por vinte e poucos Euros, a qual abre, ao comum dos mortais, a possibilidade de desenvolver projetos electrónicos.
É fácil de programar, como temos verificado no FabLab EDP, onde pessoas sem qualquer preparação técnica conseguem, em pouco tempo, construir dispositivos sofisticados que nunca tinham sonhado poder fazer.
Em torno do Arduino desenvolveu-se um movimento de culto, alimentado pelo facto de o Arduino ser “hardware open source”: qualquer um tem o direito de o copiar, e já existem sistemas alternativos, embora a vantagem seja limitada, porque ele é mesmo barato.
Agora o Arduino ganhou um novo aliado de peso, pois a Google, anunciou a 19 de Maio, que o Arduino vai fazer parte do novo sistema de desenvolvimento “Android Open Accessory Kit” que está disponível para “download” gratuito.
Recordem que o Android, é o sistema operativo para telemóveis, desenvolvido pela Google , com um êxito apreciável, pois já é utilizado em 100 milhões de dispositivos, mantendo um ritmo de 400 mil ativações mensais.
O “Android Open Accessory Kit” permitirá que uma plataforma Android – um telemóvel, uma tablet ou outra - se ligue a um Arduino pelas portas USB, passando os dois a funcionar, a partir daí, de forma integrada: o Arduino a ocupar-se do controlo do mundo físico, utilizando as suas portas analógicas e digitais, que é o que faz melhor; o Android a encarregar-se das aplicações e das comunicações, que foi para o que foi criado.
Existem já 200.000 aplicações no Android Market, o que torna claro, à evidência, que a programação do Android, é acessível e está bem disseminada. O Arduino é simples de programar, já existindo no seu ecossistema mais de meio milhão de utilizadores.
Com este casamento, a democratização da computação física levou um grande impulso, tornando mais fácil desenvolver sistemas que interajam com o mundo real. Dentro deste conceito, a Google lançou o Android@Home, que permitirá, nas nossas casas, controlar com o telemóvel, desde a máquina de lavar, às lâmpadas, ao robot que acabámos de construir.
Nem todas as inciativas da Google têm êxito, mas quando funcionam têm um potencial imenso; assim, é interessante, para as empresas portuguesas, apostar neste novo espaço de desenvolvimento : não é exigido muito capital e o ganho pode ser enorme!