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Mozilla

Publicado no Diário Económico em 3 de Janeiro de 2012

A Mozilla foi notícia no final de 2011. O motivo foi um contrato de 300 milhões de dólares anuais, durante três anos, com a Google para a Mozilla manter o Google como o motor de pesquisa associado ao seu “web browser” Firefox. Em causa, para a Google, estava impedir que o Firefox passasse a utilizar, como motor de busca, o Bing da Microsoft.

No mínimo surpreendente este contrato milionário estar a ser negociado com uma organização sem fins lucrativos, que funciona no modelo do “open source” e que descreve a sua missão como sendo “promover a abertura, a inovação e o desenvolvimento participativo da Internet”.

Fundada em 2003, a Mozilla está ligada ao Netscape – o primeiro “browser” com êxito comercial – e tem sido um dos atores principais da guerra dos “browsers”, tendo tido sempre como adversário principal o Internet Explorer da Microsoft. Mas a atuação mais relevante da Mozilla tem sido o seu papel de evangelista dos standards abertos e dos direitos dos utilizadores na Net. O resultado tem sido positivo para a Sociedade: os “browsers” têm vindo a tornar-se uma janela de entrada para a Net, mais rápida e poderosa, tendo possibilitado uma grande melhoria dos “websites”.

No meio disto tudo, o Firefox ainda detém cerca 22% de quota de mercado, sendo utilizado por milhões de utilizadores leais – entre as quais eu próprio - encontrando-se ainda à frente do Chrome da Google, mas longe do Internet Explorer da Microsoft que continua a deter metade do mercado.

Ironicamente a Mozilla pretende investir o dinheiro, que vai receber da Google e que representa mais de 80% das suas receitas, para promover alternativas abertas à Google em áreas tão sensíveis como o desenvolvimento do sistema operativo “Boot to Gecko”, como uma alternativa ao Android; devolver ao utilizador o controlo da sua identidade através do “BrowserID” com o qual nos passaremos a identificar na Net, deixando de utilizar, para esse fim, os nossos emails, ou os identificadores do Facebook ou do Twitter; por último, criar um standard para o desenvolvimento de Apps (as aplicações que instalamos nos nossos iPhones e Androids) permitindo que o seu desenvolvimento passe a ser independente do dispositivo a que se destinam.

Sem dúvida iniciativas importantes, que tranquilizam quanto à vitalidade da Mozilla e do movimento “open source” e que trazem a promessa de que 2012 venha a ser um bom ano nesta frente. O capital é um recurso escasso e o “open source” é uma boa alternativa, ao utilizar a própria Net para substituir investimento pelo talento e pela capacidade de colaborar de milhares de pessoas espalhadas por todo o Mundo.