Publicado no Diário Económico em 20 de Dezembro de 2011
Se quiséssemos eleger o objeto que melhor personifica a utilização da eletricidade, a lâmpada incandescente seria um óbvio candidato. Inventada em 1870 por Edison, substituiu rapidamente as velas e os candeeiros a petróleo e a gás que a antecederam, e em poucos anos tornou-se de tal forma parte das nossas vidas, que passámos a utilizar expressões como a “Conta da luz” ou “Empresa da luz”, em que luz aparece com o significado de energia elétrica.
Mas tudo evolui, e a lâmpada incandescente tem os dias contados. Condenou-a a sua fraca eficiência: uma lâmpada LFC (l. fluorescente compacta) utiliza 80% menos energia. Uma falha imperdoável, quando tomámos consciência que a energia é um bem escasso e que o ambiente não aguenta tudo.
Um pouco por todo o Mundo, começou a ser proibida a venda de lâmpadas incandescentes, estando planeado o seu desaparecimento na Europa, para o final de 2012.
A iluminação LFC, que representa a 3ª geração de iluminação, tem excelente eficiência, mas tem contra si o facto de não ser facilmente regulável e emitir luz com menos contraste. Por outro lado, quando as lâmpadas LFC se partem, são necessários alguns cuidados: arejar a sala, não utilizar o aspirador, evitar contactos com a pele. Nada de especial, mas a lâmpada incandescente não precisava.
A iluminação LED aparece como o melhor de todos os mundos. Ainda é cara, mas os preços estão a descer 30% ao ano. Esta 4ª geração de iluminação, baseada em semicondutores, é altamente eficiente, fornecendo 120 lúmens por Watt, tendo também a vantagem de ser facilmente regulável quer em intensidade que em temperatura da luz.
Em casa, torna-se possível criar um ambiente claro, com luz próxima da natural, quando precisamos de trabalhar e optar por luz de ambiente com cor mais quente e menos intensidade quando, ao serão, pretendemos descontrair. Em iluminação pública, torna-se possível manter um nível baixo de iluminação quando não passa ninguém na rua, aumentando a intensidade quando passam pessoas ou automóveis. Trata-se de factores de poupança cada vez mais importantes, pois a energia tenderá a ter preços crescentes.
O mercado potencial do LED é imenso, perspectivando-se um valor de 65 biliões de Euros para 2020, altura em que esta tecnologia terá 60% de quota de mercado. Uma parte importante serão os sistemas de controlo inteligente, que, só por si, representam 6 biliões de Euros. Um mundo de oportunidades para “start-ups”, pois trata-se de um caminho que vamos inevitavelmente ter de percorrer. É bom saber que existem empresas como a Arquiled, que com uma fábrica em Mora, há anos desenvolve estas tecnologias.