A electricidade tornou-se um bem essencial, cuja presença nos habituámos a considerar como certa. Quase como o ar que respiramos.
Contudo, quando ao chegarmos a casa ligamos um interruptor, pomos em acção fenómenos físicos de índole diversa, os quais terão de ser controlados por um conjunto de sistemas de elevada complexidade, e por vezes as coisas podem não correr bem…
Em causa está conseguir manter a Geração de Energia equilibrada com o Consumo, o que a não acontecer pode levar a Rede Eléctrica a colapsar, caindo como um baralho de cartas, tal como um automóvel se irá abaixo se ao subir uma ladeira inclinada não acelerarmos.
Trata-se de uma situação conhecida e com solução consagrada, a qual corresponde a, à medida que os consumos vão aumentando, ir fazendo tomar carga primeiro os geradores mais eficientes e mantendo sempre ligada à rede uma reserva de geração, a chamada Reserva Girante, a qual possa satisfazer qualquer variação não esperada do Consumo.
Com as Energias Renováveis, este jogo tornou-se mais difícil, pois estas energias, de valor indiscutível, trazem ao Sistema Eléctrico um novo grau de imprevisibilidade. A solução é, de novo, conhecida: torna-se necessário armazenar a energia quando ela é excessiva, para que possa vir a ser utilizada quando é necessária. Por exemplo, bombando água de uma barragem a uma altitude mais baixa para outra a uma altitude maior para ser turbinada mais tarde, com produção de energia, quando necessário.
Trata-se de um custo elevado a imputar às energias renováveis. Mas porque não considerar também soluções inovadoras, como por exemplo a utilização das baterias dos carros híbridos para armazenar a energia?
Na prática seria assim: Os carros híbridos seriam dotados de uma ficha para ligar à rede eléctrica e de outra para ligar à Internet. Deixaríamos as fichas do carro ligadas, em casa, durante a noite e voltaríamos a ligá-las quando chegássemos ao Emprego.
Durante todo esse tempo o carro iria tomando as suas decisões de acordo com o preço da energia, recebido através da Internet. Armazenaria energia nas baterias quando ela fosse barata, por existir em grande quantidade e devolvê-la-ia à rede quando o preço aumentasse, em virtude de ser mais escassa. Estacionado na garagem, o seu carro poderia estar a ganhar dinheiro para si, ajudando a pagar-se!
É este o conceito do V2G (Vehicle to Grid), o qual se encontra em desenvolvimento e que exemplifica a necessidade de repensar os Sistemas de Energia. Para que ele possa funcionar torna-se essencial introduzir nas Rede de Distribuição novas formas de gestão, construindo as chamadas “Smart Grids”.
Existe em Portugal um “know-how” apreciável nesta matéria, podendo o País ter um papel relevante neste projecto de alcance Europeu. A oportunidade poderia ser a introdução prevista da Telecontagem Residencial, projecto que deveria ambicionar ir mais longe do que a simples telecontagem, tornando-se antes numa verdadeira espinha dorsal de um Sistema de “Smart Grids”.