Publicado no Diário Económico em 7 de Abril de 2011
Não sei se se lembram da DARPA, a agência criada em 1958 para impedir que os Estados Unidos voltassem a sofrer surpresas tecnológicas, na área da defesa, como tinha ocorrido com o lançamento do Sputnik pela Rússia.
Pessoalmente, tomei conhecimento da existência da DARPA nos anos 70, pela ARPANET, a rede de computadores que veio a dar origem à Internet. A rede foi criada por uma pequena equipa do MIT e os conceitos de base foram desenvolvidos por Lawrence Roberts, que, pode por isso, ser considerado um dos pais da Internet.
A grande novidade da ARPANET era utilizar a comutação de pacotes em vez da comutação de circuitos. Na comutação de pacotes, as mensagens são cortadas, na origem, em datagramas de tamanho fixo, que podem seguir por caminhos distintos até ao seu destino, onde são de novo assemblados pela ordem correta, reconstituindo a mensagem original.
Criou-se o mito que a decisão de utilizar na ARPANET uma arquitetura distribuída – o que veio a ser uma das grandes vantagens da Internet – teve por objetivo tornar a rede resiliente a um ataque nuclear. Na realidade, a arquitetura tinha por objetivo permitir que a rede se mantivesse operacional, apesar da má qualidade dos canais de comunicação disponíveis.
Ciente que, agora, o foco é na energia e inspirado na DARPA, o governo dos Estados Unidos criou, em 2007, a ARPA-E (Advanced Research Projects Agency – Energy), com o objetivo de promover e financiar o desenvolvimento de tecnologias de energia avançadas. A Agência tem vindo a financiar projetos de “elevado risco e de elevado retorno”, que a indústria privada não financiaria por si só.
Assisti, em Março, em Washington D.C., ao “ARPA-E Energy Innovation Summit”. A conferência foi aberta pelo “ Secretary of Energy” Steven Chu, mas para surpresa minha, o discurso mais inspirador, que levantou em palmas a plateia de 2000 pessoas, foi o do ex-Governador Arnold Schwarzenegger. Para minha maior surpresa, no discurso, referiu Portugal , afirmando que a Califórnia não estava atrás de Portugal no que refere as energias renováveis.
Impressionou-me ouvir isto num fórum com este prestígio e saí com a confiança reforçada - numa altura em que a nossa auto-estima está no mínimo - de que não estamos a fazer tudo mal. O capital é cada vez mais escasso e tem de ser preservado, mas uma das áreas em que devemos continuar a apostar é na das tecnologias limpas, que ao estar num ponto de inflexão, pode criar oportunidades apreciáveis para a nossa indústria.