Publicado no Diário Económico em 6 de Dezembro de 2011
Há designações, como “Cloud Computing”, que, de repente, se tornaram referência e que passaram a ser tema obrigatório de qualquer conferência, sobre tecnologias de informação, que se preze. A última delas é a “Big Data”, que começa, pouco a pouco, a aparecer por toda a parte, até na prestigiada “McKinsey Quarterly”.
A importância do tema prende-se com o facto de estarmos a capturar, por dia, 2,5 quintiliões de dados , um número com 30 zeros que custa a imaginar, mas que implicou que 90% dos dados existentes no Mundo tenham sido criados nos últimos dois anos.
Muitos destes dados criámo-los nós próprios, com os nossos dedos, nas redes sociais, mas muitos outros são gerados automaticamente. Com efeito, a era digital foi construída à custa da invenção, há 60 anos, do transístor; ao longo destes anos o transístor tornou-se de tal forma barato (menos de 10 -7 Euros) que possibilitou que, neste momento, existam, entre muitos outros dispositivos electrónicos, mais de 4 biliões de telefones móveis e de 30 biliões de “tags RFID”. Toda esta electrónica gera, automaticamente, dados, sobre o tempo, o tráfego, e revela também, onde estivemos, o que fizemos e o que comprámos. Trata-se do mundo do “machine-to-machine” e da Internet das Coisas, onde os dispositivos trocam informação uns com os outros, sem intervenção humana.
Tornar todos estes dados em informação representa um desafio imenso, que se torna importante enfrentar, pois representa uma vantagem comparativa para quem o saiba fazer. Estamos perante um ponto de inflexão que, como sempre, traz ameaças e oportunidades e que obrigará a desenvolvimentos de fundo.
Ao nível do armazenamento de dados, por exemplo, há que reconhecer que as Bases de Dados dos grandes fornecedores, são produtos cujos conceitos têm mais de 25 anos, pois tiveram, na sua origem, o System R e o Ingres. Para enfrentar este crescimento exponencial de informação, a indústria das TI procurou soluções específicas, tendo a Oracle, por exemplo, desenvolvido para este efeito a tecnologia Exadata. Por seu lado, alguns grandes utilizadores, como a Google, optaram por desenvolver soluções próprias. A solução da Google chama-se BigTable, e já tem sucedâneos “open source”, como o Apache Cassandra.
O crescimento dos dados está ainda a dar os primeiros passos e as “smart grids” é uma das áreas em que vamos presenciar uma explosão na quantidade de informação que será necessário processar. Se tivermos a pretensão de ter algum protagonismo nesta área, teremos de aprender a dominar as tecnologias associados ao fenómeno “Big Data”. É bom saber que já temos empresas portuguesas, como a FeedZai, a jogar este jogo!