Artigo de opinião publicado no Diário Económico em 26 de Março de 2011
Um dos melhores exemplos de clarividência, que conheço, é a lei de Moore. Num artigo escrito em 1965, Gordon Moore, um dos fundadores da Intel, profetizou que cada 18 meses seria possível comprar, com o mesmo dinheiro, o dobro da capacidade de processamento. E, quase inacreditavelmente, esse facto tem-se verificado, quase sempre até hoje, perspectivando-se que se prolongue, pelo menos, até 2020.
A lei de Moore é uma lei de miniaturização, que afirma, muito simplesmente, que daqui por 18 meses será possível colocar, na mesma área de circuito integrado, o dobro dos componentes de um “chip” atual. A lei de Moore aplica-se à electrónica, não sendo válida noutros campos. Ouvi uma vez, um conhecido guru de gestão, afirmar que se a indústria automóvel tivesse conseguido seguir a lei de Moore, um automóvel custaria, hoje, 1 Euro. O que o guru se esqueceu de dizer é que os carros seriam, também, tão pequenos, que só lá caberiam formigas!
Dois factos recentes fizeram-me relembrar a lei de Moore. O primeiro foi o lançamento pela Motorola do novo telemóvel ATRIX 4G. Baseia-se no Android e vem equipado com um processador “dual-core” e 1 gigabyte de RAM; deve ser, pura e simplesmente, o telemóvel mais potente no mercado, rivalizando já com um PC .
O ATRIX dispõe, como acessório, de um écran e de um teclado com dimensões semelhantes às de um PC – muito leve, pois possui apenas uma bateria com 8 horas de duração - atrás da qual o telemóvel se pode encaixar. A partir daí passamos a dispor de um “laptop”, com todos os nossos ficheiros, música, vídeos e fotografias. Sou daqueles que andam sempre com o PC atrás. Se o ATRIX for mesmo o que penso, poderei, finalmente, passar a viajar mais leve.
O segundo facto que me lembrou a lei de Moore foi o Watson, o computador com que a IBM conseguiu ganhar o “Jeopardy” - um “quiz show” americano no género do “Quem quer ser milionário”. O Watson utiliza algoritmos de Inteligência Artificial que lhe permitem perceber linguagem natural e bater os campeões do “Jeopardy”. Para conseguir tudo isto o Watson utiliza um “hardware” imenso construído a partir de 2880 “cores” do processador POWER7 da IBM.
Se o ATRIX já pode vir a fazer uma enorme diferença na nossa qualidade de vida, imaginem o que seria poder andar com um Watson no bolso. Se a lei de Moore se continuar a verificar por mais umas décadas, isso pode muito bem vir a ser possível!
Referências